26 fevereiro, 2010

Ano Novo... Cara Nova!!

Bueno, parcos leitores... resolvi submeter o Café a uma plástica geral e cá está ele de cara nova!
Pra isso obviamente eu precisei fazer umas atualizações no Blogger e no meu cérebro cheio de teias de aranha pra aprender a baixar templates novos, etc... Não sem a ajuda da minha amiga Syl, que fez o "sacrifício" de perder uma tarde inteira de trabalho comigo pra botar essa coisa pra funcionar!!

Logo teremos mais novidades!

Aguardem!

21 fevereiro, 2010

12 fevereiro, 2010

Pequenas pinceladas do dia-a-dia

A comentarista

Assistindo a “Éi Du Zêi Têis”, o filme favorito:

- A rena é muto rápida. O Diego ta ficanu pa táis...

No almoço na Chacara Sta Cecilia:

- Tô gostando muto desse lugai muto liiindo!!

Passando “totôi solai” nela pra descer pra piscina:

- Muto bem, mãe, você é muto rápida!

Vale Tudo

Ela acerta o travesseiro no joelho do pai dando altas gargalhadas. Na terceira vez ela acerta a tigela de granola que estava na mão dele derrubando tudo pelo sofá, desta vez sem gargalhadas...

- Oh, oh...

- Você viu o que você fez filha??

- Bagunça...

- E o que você vai fazer agora??

- Pidi diculpa...(?)

My fair lady

Foi ao banheiro antes de sair da escola. Trânsito vai, trânsito vem, chegamos ao nosso próximo destino pra ver uma mocinha no cadeirão com o braço pra cima e um dedinho apontando para o teto do carro:

- Queria fazê só uma pingunta... Posso fazê mais xixi?

Não sei de quem veio a educação suíça...

Amores

A babá veio me contar na hora do almoço que quase saiu briga no parquinho. G., menina muito bonitinha do prédio, lá pelos seus 3 anos chegou pro R., o bad little boy do pedaço, também com 3, e perguntou pro pequeno se ele queria ser namorado dela, no que ouviu de volta:

- Me respeite! (pausa pras gargalhadas...) Eu já tenho namoiada. Ela ta ali ó – apontando pra filha desta que vos fala (!!!).

Pausa pro pânico da mãe...

09 fevereiro, 2010

Curtas e grossas

A pessoa lajota a casa toda pq dá muito trabalho cortar a grama, sabe?! Ocupa área de várzea, local proibido, terreno ilegal... Aí chove dois meses sem parar e o sujeito joga pedra no prefeito. Não que ele seja um santo, nem que a cidade seja maravilhosa, mas algumas pedras deviam ter efeito bumerangue...

Aí, com toda essa chuva, diques, piscinões e adutoras vão pro pau e a gente fica sem o que? Sem água, meus senhores!! Pela segunda vez em menos de um mês... Quatro dias ao todo. Ah, mundo irônico esse... E nós que respeitamos o aviso de racionamento ficamos vivendo de baldes, pq eu tenho certeza que tem vizinho tomando banho de 20 minutos...

Se eu não acreditasse em pedras bumerangue até rogava uma praga neles...

03 fevereiro, 2010

Chatter box

Voltou de férias uma tagarela. Fala, canta, faz poses, dá opinião em t-u-d-o!

Gosta de virar bacalhota e ficar de ponta-di-cabeça. Achou liiinda a passatilha que eu comprei pra ela andar em casa.

Aliás, acha tudo liiiindo, assim, com ênfase.

Todo dia de manhã diz que vai me levar até o elevador, e quando peço pra ela chamar o elevador pra mim ela berra a plenos pulmões “ELEVADOOOR”. Tão lindo que dá vontade de morder!

Aprendeu umas pérolas por aí, e não foi comigo:

- Sigúúúla, pião!

- Fica tãnquila, mãe, não si peocupa! Tá tuuudo bem!

- Que chêlo boooom! (abrindo o Yakult, mais novo vício)

- Não aquedito, quanto céu!!!, olhando pra cima maravilhada no último sábado de sol... (depois de semanas de chuva, eu não a culpo...)

E nós aqui, com cara de bobos, vendo a bichinha cada dia mais esperta!

Garota Propaganda:

Vendo a espinha no meu rosto ela perguntou:

- Mamãe, o penilongo ti moideu? Passa dipelenti que fica tudo bem!

Vou ver se o Off se interessa...

29 janeiro, 2010

Pequenas (grandes) causas

Semana passada perdi uma sílaba. Seria uma besteira, não tivesse causado um estrago tão grande. Foi um "ma", mas me alçou do título de "mamãe" para simplesmente "mãe", que ela passou a usar sem titubear. O novo título também não é pouco, eu sei, mas já anunciava o sinal de novos tempos...
Hoje desmontamos de vez o berço que ela usou nos últimos dois anos e meio.
Só posso dizer que depois de tudo isso eu vou precisar de terapia urgente...

11 janeiro, 2010

Dia 11 – Santiago – São Paulo, ou impressões e conclusões

Bairro Paris-Londres

O tour pelas vinícolas que faríamos na última manhã no país não saiu, por conta de horários e preços. Para ir por conta, o que não é nada difícil por aqui, se paga 7.000 pesos (mais ou menos R$ 25) o passeio. Com os tours organizados, são 28.000 por pessoa (R$ 100), ou seja, 4 vezes mais. O impeditivo do tempo foi que os passeios costumam ser de dia todo ou no período da tarde, e o horário do vôo nos obrigava a estar de volta ao aeroporto às 3 da tarde, entonces, como tantas outras coisas não vistas, ficou pra próxima. Fechamos as malas, rumamos para o aeroporto e fizemos o balanço dos últimos dias.

A janela do avião e a cordilheira ali do lado

- Companhia é tudo pra uma road trip dessas. Bons amigos que tornam as dificuldades mais leves, as estradas mais curtas e compartilham as experiências mais inesquecíveis com você não têm preço!

- São Pedro é uma cidade mágica e acessível a todos que se dispuserem a conhecer algo de diferente. Há pequenas pousadas e grandes resorts e NUNCA, mas nunca mesmo, chove por ali (o mesmo vale pra maior parte das cidades costeiras a beira do deserto);

- Muita gente fez cara feia quando anunciei que faria esta viagem, mas fomos sabendo onde estávamos nos metendo e não estava errada, nem em momento algum me arrependi, pelo contrário. A experiência de estar num lugar como o Atacama só me faz ter mais certeza de que a gente não precisa de tanto pra viver, e que aquele lugar pode ser um reflexo do mundo que iremos ter caso não desaceleremos o pé no consumo sem fim de cada dia (e do qual não nos damos conta até que não tenhamos outra alternativa se não nos virar com o mínimo). Talvez as pessoas que menos quisessem estar ali são as que realmente precisassem ir, para entender que há um ciclo de vida e que o elevador do seu prédio não sobe sozinho, que água além de acabar não vem na garrafa e ter carne na mesa e fruta na cesta não é algo óbvio em todos os lugares do mundo, mas que deveríamos ser gratos por ter esta opção, e não desperdiçá-la;

- Pena que acabou tão rápido!

Dia 10 – Santiago

O sol já havia raiado fazia um bocado de tempo quando finalmente conseguimos nos mexer pra resolver o problema da véspera. Não sem antes tomar café da manhã, já que estava incluso no pacote. Não deveria nem ter ficado surpresa quando depois de três becos dignos de Hogwarts, chegamos à tumba de Tutancâmon para o café, ou assim ao menos parecia. As paredes eram pintadas à moda egípcia, com hieróglifos, sacerdotes, aves, e o que mais você possa imaginar. Lugar de dar medo e comida também.Felizmente, a um quateirão dali o brasileiríssimo Blue Tree nos deu as primeiras “boas” vindas à cidade, e o recepcionista piedoso, tomando conhecimento dos nossos percalços, nos deu um quarto melhor do que a diária contratada, para que não saíssemos da cidade com uma péssima impressão. A região ali se chama Paris-Londres e as ruas poderiam se passar tranquilamente como de qualquer cidade charmosa da Europa.
Santiago é uma cidade com 6 milhões de habitantes, portanto quase uma São Paulo. Como a idéia da viagem era fugir da civilização, e não correr pra ela, não foi com grande empolgação que começamos a percorrer as ruas do centro. O Mercado Central, uma versão bem miniatura do nosso Mercado Municipal serve peixes frescos pro almoço e muitos dos garçons falam um portunhol bem fluente, considerando o número de turistas brasileiros que vimos por ali. O assédio aos turistas que ali entram é grande então se não quiser comer desconverse, porque eles virão atrás de você mesmo assim.
Decidimos que o melhor era circular pela cidade de metrô, muito mais amplo que o nosso. Uma alternativa barata, limpa e organizada.No entanto, quem salvou o dia realmente foi Neruda, ou melhor, a casa dele (e que virou museu) no Bairro de Bellavista, uma vizinhança boêmia que lembra muito a Vila Madalena sem as ladeiras. Perto da casa de Neruda, há a preços mais salgados, mas num ambiente muito acolhedor, o Pátio Bellavista, uma praça cercada de restaurantes, galerias de arte, lojas de artesanato (com o famoso lápis-lazúli da região) onde eu poderia ficar toda a tarde sem ver a hora passar.Mas como ainda tínhamos uma lista de coisas pra levar de volta pro Brasil, e as horas estavam passando, rumamos para o Mall Parque Arauco, um shopping meio aberto, meio fechado, que parece um labirinto, mas onde se encontra a maioria das redes do país (que agora já conhecíamos de cor) e várias outras lojinhas interessantes. O TGI Friday’s salvou a noite enquanto ouvíamos uma banda cover tocar todos os sucessos do Coldplay na praça central da parte aberta do shopping. 6 metrôs, 2 taxis e muita, muita comida depois, nos despedimos da cidade pra fechar as malas somente na manhã seguinte.

Dia 9 – Tocopilla – Calama – Santiago ou “O dia da Uruca”

Calçadão de Tocopilla

Em viagens, tem sempre um dia que é mais zicado que qualquer outro. O nosso foi este dia. Já acordamos com o ovo virado de ter que ir embora do Dakar agora que as coisas tinham começado a ficar boas. Numa tristeza danada demos nossos adeus, mas antes mesmo de poder sentar no ônibus e chorar as pitangas fomos avisados pela Tur Bus que o ônibus que pegaríamos não desceria até Tocopilla porque a estrada estava fechada por conta do rally. Na verdade, nós entendemos com isso que éramos os dois únicos passageiros e que eles acharam que não valia a pena descer a pirambeira da Serra Pelada que cerca Tocopilla pra pegar os dois manés que precisavam chegar a Calama sem falta para pegar o vôo pra Santiago. Acabamos contatando por indicação do hotel um taxista que além de falar português e mais umas 6 línguas, já tinha viajado o mundo todo (inclusive ao Brasil, onde ele dizia ter deixado algumas chicas chorando por ele).

Nosso Tocotaxi!

Naquelas alturas e sem outra alternativa viável lá fomos nós no taxi preto e amarelo, aparentemente padrão em todas as cidades por onde estivemos. Don Jorge, que era uma cruza de chinês com italiana, dizia já ter trabalhado como pintor, mineiro, eletricista, mestre de obras, morou na Itália, no Brasil, nos EUA, falava inglês fluente (o que eu pude confirmar) e devia ter uns 150 anos por tudo o que disse ter feito. Nos serviu balinhas, colocou músicas americanas dos anos 70 e foi nos contando a história do Chile, da colonização da região, do deserto, durante as duas horas do caminho entre Tocopilla e Calama.

Nosso guia no deserto

O único senão é que o carro não tinha ar condicionado e era preto que só, então conforme avançávamos de volta para o deserto, a sensação de sauna seca era cada vez mais inevitável. Ele nos explicou sobre a extração de cobre na região, que os chineses que víamos pela região chegaram ali para a construção das ferrovias, que as cidades foram construídas ali baseadas no velho oeste americano (e assim foram esquecidas), que os mineiros ganhavam em torno de 50.000 reais por ano, mais adicionais de insalubridade, que Bernardo O’Higgins, presente nas placas de várias das cidades por onde passamos, foi o libertador do país das mãos dos espanhóis no século 18, e por aí foi nossa conversa, só interrompida quando ele renovava seu cheiro com algumas gotas de um perfume “Kenzo” comprado dos camelôs que pipocavam na avenida central de Tocopilla (o primeiro lugar em que os vimos, aliás).
O resto do dia foi de espera no shopping e no aeroporto de Calama.

Pôr-do-sol na saída de Calama

Mas, como dia de uruca vai até o fim, tivemos que esperar uma hora no saguão do aeroporto até que nossas malas fossem trazidas para a esteira no aeroporto de Santiago, e, ao finalmente chegar ao hotel que havíamos reservado, demos conta do engodo em que havíamos nos metido. Eu já devia saber que íamos ter problemas quando vi a placa de “Welcome backpackers” na entrada, mas resolvi ter um pouco de fé na humanidade, já que era 1 hora da manhã de um longo dia de trânsito. As fotos do hotel e a informação vendida pelo site e pelas revistas de turismo que vimos não tinham nada a ver com a pocilga que encontramos na nossa frente. Além do quarto ser sujo e cheirar a mofo, tinha uma banheira para anões, que supostamente é o local pra ser tomar banho e uma internet que só funciona na propaganda. Fomos dormir com raiva da enganação que ainda nos sairia por R$ 103, dispostos a resolver o problema assim que o sol raiasse.

Dia 8 – Largada de Antofagasta – Iquique – pouso em Tocopilla

Não eram 7 da manhã e todo o circo do Dakar já estava funcionando para a largada de motos, quadris, carros e caminhões a alguns quilômetros dali. Tivemos tempo de conversar com os brasileiros e ver de perto os pilotos gringos dos carros que já se enfileiravam para a largada. Uma coisa que muito nos impressionou foi a cobertura completa da Fox Sports chilena. Enquanto os brasileiros eram vencidos um a um pela crueza do deserto, no Brasil, na maior parte da mídia não especializada do país só se falava da troca do técnico do 15 de Piracicaba e do novo corte de cabelo do Ronaldo. Novamente, impossível não falar dos banheiros públicos... Digo, a céu aberto. Alguma coisa no refeitório da Sodexo no bivoac (o nome usado para o acampamento oficial) não caiu bem aquele dia, pois por todo lado sumiam pilotos atrás das dunas, carros ou qualquer barreira de um lado só que desse um mínimo de privacidade.
A segunda parte da prova assistimos de Quillagua, literalmente um Oasis no meio do deserto e o maior calor que passamos desde o começo da viagem. Nenhum protetor solar resolvia a ardência com que o sol queimava a pele, o que me fez entender o esquema de roupas em excesso, e não em falta, dos nômades do deserto. Não dá pra deixar nada descoberto. Vencidos pelo sol, passamos no único boteco da região para tomar qualquer coisa que fosse gelada e qualquer coisa que fosse de comer (note-se que a gente deixa de ser seletivo em algum momento da vida no deserto) pra ver a Glória Menezes e a Patrícia Pillar debatendo em bom castelhano dublado em plena televisão chilena. Me ofereci pra contar o final da história que eu nem assisti para o senhor da vendinha, mas ele não ficou muito feliz quando eu disse que a vilã só pagaria seus pecados no último capítulo. Uma coisa importante que aprendemos depois do nono erro (aqui novamente) é que as garrafas de água de tampa vermelha são sem gás e as de tampa azul são com gás, o exato oposto do Brasil, o que nos concedeu mais uma garrafa d’água com gás que não mata a sede como a outra de jeito nenhum.Como não conseguiríamos chegar em Iquique e voltar a tempo de pegar nosso ônibus para Calama na manhã seguinte, acabamos voltando para Tocopilla, uma cidade (não sei se se encaixa bem na descrição) portuária de pouquíssimas opções de hospedagens razoáveis, e que ainda tivemos que disputar com 6 cinegrafistas croatas. Assim acabamos num hotel ruim pacas, comendo um peixe frito no mercado municipal, o que nos pareceu a opção mais segura, mas ainda assim regado a cerveja para matar o que viesse junto e fazer backup das fotos antes de cair de cansaço na cama. Uma coisa não dá pra reclamar: até o hotelzinho mais mequetrefe do interior do Chile tem internet wi-fi e TV a cabo!

Dia 7 – Antofagasta – chegada do Dakar

Precisamos rodar uns bons 130 km pra sul de Antofagasta para ver a etapa da prova que vinha de Copiapó. O lugar escolhido: uma duna antes da chegada no meio de que? Do nada, é claro, afinal, estamos no deserto. E, neste, caso, diferente de San Pedro, que fica localizada nas alturas, um deserto dos muuuuito quentes. Uma coisa é interessante a respeito do deserto, como ouvi dos próprios chilenos enquanto esperávamos ali. As terras do deserto são de uso coletivo, todos podem desfrutar do espaço (que, diga-se é imenso), no entanto, há apenas a concessão do uso da terra, mas não a propriedade, como é o caso da enfiteuse no Brasil. Precisaria perguntar melhor, mas acho que escritura só existe nas cidades... O uso da propriedade e o desfrute do deserto ficou patente quando se estabeleceu tacitamente que os banheiros estariam localizados à direita dos carros. Esse negócio de banheiro no meio do deserto ainda seria tema de muito debate pelo caminho, mas comecei a acreditar que dizia respeito à liberdade (aliada à falta de estrutura) que o deserto proporciona. Mal havíamos acertado nosso acampamento particular, com churrasqueira e carne de “pavón”, quando uma tempestade-zinha de areia levantou nossa cobertura, transformou nossa carne numa milanesa sem ovos e quase nos mandou embora para casa, mas meia duna mais a frente conseguimos nos estabelecer novamente e esperar os brasileiros terminarem de passar (com direito a bandeira e tudo mais). Muito sol e quinze camadas de protetores diversos depois, voltamos para o acampamento oficial da prova para acampar em La Portada, onde já havíamos estado dois dias antes e onde seria a base oficial da prova pelos próximos dias. Terminamos o churrasco, agora sem milanesa, estreamos a barraca comprada na véspera e fomos dormir alta madrugada com vista para a cidade toda iluminada e ao som do gerador de uns argentinos sacanas que ficaram acordados até muito mais tarde que nós, enquanto debatíamos a possibilidade de afogar Buenos Aires com toda a água do Rio Paraná.