A pessoa lajota a casa toda pq dá muito trabalho cortar a grama, sabe?! Ocupa área de várzea, local proibido, terreno ilegal... Aí chove dois meses sem parar e o sujeito joga pedra no prefeito. Não que ele seja um santo, nem que a cidade seja maravilhosa, mas algumas pedras deviam ter efeito bumerangue...
Aí, com toda essa chuva, diques, piscinões e adutoras vão pro pau e a gente fica sem o que? Sem água, meus senhores!! Pela segunda vez em menos de um mês... Quatro dias ao todo. Ah, mundo irônico esse... E nós que respeitamos o aviso de racionamento ficamos vivendo de baldes, pq eu tenho certeza que tem vizinho tomando banho de 20 minutos...
Se eu não acreditasse em pedras bumerangue até rogava uma praga neles...
09 fevereiro, 2010
03 fevereiro, 2010
Chatter box
Voltou de férias uma tagarela. Fala, canta, faz poses, dá opinião em t-u-d-o!
Gosta de virar bacalhota e ficar de ponta-di-cabeça. Achou liiinda a passatilha que eu comprei pra ela andar em casa.
Aliás, acha tudo liiiindo, assim, com ênfase.
Todo dia de manhã diz que vai me levar até o elevador, e quando peço pra ela chamar o elevador pra mim ela berra a plenos pulmões “ELEVADOOOR”. Tão lindo que dá vontade de morder!
Aprendeu umas pérolas por aí, e não foi comigo:
- Sigúúúla, pião!
Todo dia de manhã diz que vai me levar até o elevador, e quando peço pra ela chamar o elevador pra mim ela berra a plenos pulmões “ELEVADOOOR”. Tão lindo que dá vontade de morder!
Aprendeu umas pérolas por aí, e não foi comigo:
- Sigúúúla, pião!
- Fica tãnquila, mãe, não si peocupa! Tá tuuudo bem!
- Que chêlo boooom! (abrindo o Yakult, mais novo vício)
- Não aquedito, quanto céu!!!, olhando pra cima maravilhada no último sábado de sol... (depois de semanas de chuva, eu não a culpo...)
- Não aquedito, quanto céu!!!, olhando pra cima maravilhada no último sábado de sol... (depois de semanas de chuva, eu não a culpo...)
E nós aqui, com cara de bobos, vendo a bichinha cada dia mais esperta!
Garota Propaganda:
Vendo a espinha no meu rosto ela perguntou:
- Mamãe, o penilongo ti moideu? Passa dipelenti que fica tudo bem!
Vou ver se o Off se interessa...
29 janeiro, 2010
Pequenas (grandes) causas
Semana passada perdi uma sílaba. Seria uma besteira, não tivesse causado um estrago tão grande. Foi um "ma", mas me alçou do título de "mamãe" para simplesmente "mãe", que ela passou a usar sem titubear. O novo título também não é pouco, eu sei, mas já anunciava o sinal de novos tempos...
Hoje desmontamos de vez o berço que ela usou nos últimos dois anos e meio.
Só posso dizer que depois de tudo isso eu vou precisar de terapia urgente...
Hoje desmontamos de vez o berço que ela usou nos últimos dois anos e meio.
Só posso dizer que depois de tudo isso eu vou precisar de terapia urgente...
11 janeiro, 2010
Dia 11 – Santiago – São Paulo, ou impressões e conclusões
O tour pelas vinícolas que faríamos na última manhã no país não saiu, por conta de horários e preços. Para ir por conta, o que não é nada difícil por aqui, se paga 7.000 pesos (mais ou menos R$ 25) o passeio. Com os tours organizados, são 28.000 por pessoa (R$ 100), ou seja, 4 vezes mais. O impeditivo do tempo foi que os passeios costumam ser de dia todo ou no período da tarde, e o horário do vôo nos obrigava a estar de volta ao aeroporto às 3 da tarde, entonces, como tantas outras coisas não vistas, ficou pra próxima. Fechamos as malas, rumamos para o aeroporto e fizemos o balanço dos últimos dias.
- Companhia é tudo pra uma road trip dessas. Bons amigos que tornam as dificuldades mais leves, as estradas mais curtas e compartilham as experiências mais inesquecíveis com você não têm preço!
- São Pedro é uma cidade mágica e acessível a todos que se dispuserem a conhecer algo de diferente. Há pequenas pousadas e grandes resorts e NUNCA, mas nunca mesmo, chove por ali (o mesmo vale pra maior parte das cidades costeiras a beira do deserto);
- Muita gente fez cara feia quando anunciei que faria esta viagem, mas fomos sabendo onde estávamos nos metendo e não estava errada, nem em momento algum me arrependi, pelo contrário. A experiência de estar num lugar como o Atacama só me faz ter mais certeza de que a gente não precisa de tanto pra viver, e que aquele lugar pode ser um reflexo do mundo que iremos ter caso não desaceleremos o pé no consumo sem fim de cada dia (e do qual não nos damos conta até que não tenhamos outra alternativa se não nos virar com o mínimo). Talvez as pessoas que menos quisessem estar ali são as que realmente precisassem ir, para entender que há um ciclo de vida e que o elevador do seu prédio não sobe sozinho, que água além de acabar não vem na garrafa e ter carne na mesa e fruta na cesta não é algo óbvio em todos os lugares do mundo, mas que deveríamos ser gratos por ter esta opção, e não desperdiçá-la;
- Pena que acabou tão rápido!
Dia 10 – Santiago
O sol já havia raiado fazia um bocado de tempo quando finalmente conseguimos nos mexer pra resolver o problema da véspera. Não sem antes tomar café da manhã, já que estava incluso no pacote. Não deveria nem ter ficado surpresa quando depois de três becos dignos de Hogwarts, chegamos à tumba de Tutancâmon para o café, ou assim ao menos parecia. As paredes eram pintadas à moda egípcia, com hieróglifos, sacerdotes, aves, e o que mais você possa imaginar. Lugar de dar medo e comida também.
Felizmente, a um quateirão dali o brasileiríssimo Blue Tree nos deu as primeiras “boas” vindas à cidade, e o recepcionista piedoso, tomando conhecimento dos nossos percalços, nos deu um quarto melhor do que a diária contratada, para que não saíssemos da cidade com uma péssima impressão. A região ali se chama Paris-Londres e as ruas poderiam se passar tranquilamente como de qualquer cidade charmosa da Europa.
Santiago é uma cidade com 6 milhões de habitantes, portanto quase uma São Paulo. Como a idéia da viagem era fugir da civilização, e não correr pra ela, não foi com grande empolgação que começamos a percorrer as ruas do centro. O Mercado Central, uma versão bem miniatura do nosso Mercado Municipal serve peixes frescos pro almoço e muitos dos garçons falam um portunhol bem fluente, considerando o número de turistas brasileiros que vimos por ali. O assédio aos turistas que ali entram é grande então se não quiser comer desconverse, porque eles virão atrás de você mesmo assim.
Decidimos que o melhor era circular pela cidade de metrô, muito mais amplo que o nosso. Uma alternativa barata, limpa e organizada.
No entanto, quem salvou o dia realmente foi Neruda, ou melhor, a casa dele (e que virou museu) no Bairro de Bellavista, uma vizinhança boêmia que lembra muito a Vila Madalena sem as ladeiras.
Perto da casa de Neruda, há a preços mais salgados, mas num ambiente muito acolhedor, o Pátio Bellavista, uma praça cercada de restaurantes, galerias de arte, lojas de artesanato (com o famoso lápis-lazúli da região) onde eu poderia ficar toda a tarde sem ver a hora passar.
Mas como ainda tínhamos uma lista de coisas pra levar de volta pro Brasil, e as horas estavam passando, rumamos para o Mall Parque Arauco, um shopping meio aberto, meio fechado, que parece um labirinto, mas onde se encontra a maioria das redes do país (que agora já conhecíamos de cor) e várias outras lojinhas interessantes. O TGI Friday’s salvou a noite enquanto ouvíamos uma banda cover tocar todos os sucessos do Coldplay na praça central da parte aberta do shopping. 6 metrôs, 2 taxis e muita, muita comida depois, nos despedimos da cidade pra fechar as malas somente na manhã seguinte.
Santiago é uma cidade com 6 milhões de habitantes, portanto quase uma São Paulo. Como a idéia da viagem era fugir da civilização, e não correr pra ela, não foi com grande empolgação que começamos a percorrer as ruas do centro. O Mercado Central, uma versão bem miniatura do nosso Mercado Municipal serve peixes frescos pro almoço e muitos dos garçons falam um portunhol bem fluente, considerando o número de turistas brasileiros que vimos por ali. O assédio aos turistas que ali entram é grande então se não quiser comer desconverse, porque eles virão atrás de você mesmo assim.
Decidimos que o melhor era circular pela cidade de metrô, muito mais amplo que o nosso. Uma alternativa barata, limpa e organizada.
Dia 9 – Tocopilla – Calama – Santiago ou “O dia da Uruca”
Em viagens, tem sempre um dia que é mais zicado que qualquer outro. O nosso foi este dia. Já acordamos com o ovo virado de ter que ir embora do Dakar agora que as coisas tinham começado a ficar boas. Numa tristeza danada demos nossos adeus, mas antes mesmo de poder sentar no ônibus e chorar as pitangas fomos avisados pela Tur Bus que o ônibus que pegaríamos não desceria até Tocopilla porque a estrada estava fechada por conta do rally. Na verdade, nós entendemos com isso que éramos os dois únicos passageiros e que eles acharam que não valia a pena descer a pirambeira da Serra Pelada que cerca Tocopilla pra pegar os dois manés que precisavam chegar a Calama sem falta para pegar o vôo pra Santiago. Acabamos contatando por indicação do hotel um taxista que além de falar português e mais umas 6 línguas, já tinha viajado o mundo todo (inclusive ao Brasil, onde ele dizia ter deixado algumas chicas chorando por ele).
Naquelas alturas e sem outra alternativa viável lá fomos nós no taxi preto e amarelo, aparentemente padrão em todas as cidades por onde estivemos. Don Jorge, que era uma cruza de chinês com italiana, dizia já ter trabalhado como pintor, mineiro, eletricista, mestre de obras, morou na Itália, no Brasil, nos EUA, falava inglês fluente (o que eu pude confirmar) e devia ter uns 150 anos por tudo o que disse ter feito. Nos serviu balinhas, colocou músicas americanas dos anos 70 e foi nos contando a história do Chile, da colonização da região, do deserto, durante as duas horas do caminho entre Tocopilla e Calama.
O único senão é que o carro não tinha ar condicionado e era preto que só, então conforme avançávamos de volta para o deserto, a sensação de sauna seca era cada vez mais inevitável. Ele nos explicou sobre a extração de cobre na região, que os chineses que víamos pela região chegaram ali para a construção das ferrovias, que as cidades foram construídas ali baseadas no velho oeste americano (e assim foram esquecidas), que os mineiros ganhavam em torno de 50.000 reais por ano, mais adicionais de insalubridade, que Bernardo O’Higgins, presente nas placas de várias das cidades por onde passamos, foi o libertador do país das mãos dos espanhóis no século 18, e por aí foi nossa conversa, só interrompida quando ele renovava seu cheiro com algumas gotas de um perfume “Kenzo” comprado dos camelôs que pipocavam na avenida central de Tocopilla (o primeiro lugar em que os vimos, aliás).
Mas, como dia de uruca vai até o fim, tivemos que esperar uma hora no saguão do aeroporto até que nossas malas fossem trazidas para a esteira no aeroporto de Santiago, e, ao finalmente chegar ao hotel que havíamos reservado, demos conta do engodo em que havíamos nos metido. Eu já devia saber que íamos ter problemas quando vi a placa de “Welcome backpackers” na entrada, mas resolvi ter um pouco de fé na humanidade, já que era 1 hora da manhã de um longo dia de trânsito.
Dia 8 – Largada de Antofagasta – Iquique – pouso em Tocopilla
Dia 7 – Antofagasta – chegada do Dakar
Precisamos rodar uns bons 130 km pra sul de Antofagasta para ver a etapa da prova que vinha de Copiapó. O lugar escolhido: uma duna antes da chegada no meio de que? Do nada, é claro, afinal, estamos no deserto. E, neste, caso, diferente de San Pedro, que fica localizada nas alturas, um deserto dos muuuuito quentes.
Uma coisa é interessante a respeito do deserto, como ouvi dos próprios chilenos enquanto esperávamos ali. As terras do deserto são de uso coletivo, todos podem desfrutar do espaço (que, diga-se é imenso), no entanto, há apenas a concessão do uso da terra, mas não a propriedade, como é o caso da enfiteuse no Brasil. Precisaria perguntar melhor, mas acho que escritura só existe nas cidades... O uso da propriedade e o desfrute do deserto ficou patente quando se estabeleceu tacitamente que os banheiros estariam localizados à direita dos carros. Esse negócio de banheiro no meio do deserto ainda seria tema de muito debate pelo caminho, mas comecei a acreditar que dizia respeito à liberdade (aliada à falta de estrutura) que o deserto proporciona.
Mal havíamos acertado nosso acampamento particular, com churrasqueira e carne de “pavón”, quando uma tempestade-zinha de areia levantou nossa cobertura, transformou nossa carne numa milanesa sem ovos e quase nos mandou embora para casa, mas meia duna mais a frente conseguimos nos estabelecer novamente e esperar os brasileiros terminarem de passar (com direito a bandeira e tudo mais).
Muito sol e quinze camadas de protetores diversos depois, voltamos para o acampamento oficial da prova para acampar em La Portada, onde já havíamos estado dois dias antes e onde seria a base oficial da prova pelos próximos dias. Terminamos o churrasco, agora sem milanesa, estreamos a barraca comprada na véspera e fomos dormir alta madrugada com vista para a cidade toda iluminada e ao som do gerador de uns argentinos sacanas que ficaram acordados até muito mais tarde que nós, enquanto debatíamos a possibilidade de afogar Buenos Aires com toda a água do Rio Paraná.
Dia 6 – Antofagasta (dia de descanso)
Intencionalmente ou por inércia, acabamos tirando o dia para resolver nossas pendências logísticas e comerciais, aproveitando que a cidade tinha estrutura para nos ajudar.
Parte histórica de Antofagasta
A cidade e as dunas
A cidade e o mar
A praça central
A noite foi de rearrumação de malas, pizza, mais “cervezas” (note que já havíamos criado um padrão) para levantar acampamento logo cedo e correr atrás do que havíamos ido ali pra fazer: ver o Dakar pelo último ano confirmado na América do sul.
A passagem de volta entre Calama e Santiago não pode ser mudada, pelo menos não sem deixar nos cofres da Lan Chile o equivalente a uma nova passagem cada.
A maior parte do dia foi passada dentro do Mall Plaza, aparentemente uma rede de shoppings no país, com sentimentos que variavam entre a estupefação, empolgação e revolta com o tanto que nós somos extorquidos no Brasil. Descontei minhas frustrações no Taco Bell, que não encontrava havia 15 anos, desde quando ainda morava na Florida. Entre acessos de consumismo e o novo farnel no supermercado para os dias que se seguiriam, descobrimos que os chilenos não são, pelo menos não naquela região, pessoas multi-tarefas. É como estar no Nordeste do país dos outros (até geograficamente equivalente). Tudo é feito no seu ritmo, sem pressa, e para nós, paulistanos estressados, isso às vezes pode tirar a paciência até de um Jô brasileiro...
A noite foi de rearrumação de malas, pizza, mais “cervezas” (note que já havíamos criado um padrão) para levantar acampamento logo cedo e correr atrás do que havíamos ido ali pra fazer: ver o Dakar pelo último ano confirmado na América do sul.
06 janeiro, 2010
Dia 5 – Hornito, La Portada, Antofagasta
Há algumas conseqüências óbvias da falta de estrutura em uma praia como Hornito. Algumas delas só fomos descobrir com o raiar do dia. Pelo que pudemos observar, acampar é um programa bastante tradicional entre os chilenos, e eles não se contentam em levar somente o básico. Vimos famílias inteiras com mesas, geladeira, comemorando aniversários. Algumas tendas pareciam praticamente haréns no meio do deserto. Algumas tinham subdivisões internas, para que cada membro da família pudesse montar sua própria barraca. Pelo jeito também, é costume local levar tudo de casa, porque não se via sequer uma lojinha ou bar aberto, que dirá um camelô vendendo batata frita, picolé ou o que seja, como nas praias brasileiras.
Na praia inteira, somente um banheiro coletivo, em condições não lá muito higiênicas... A pergunta que não quis calar, neste ponto, foi “como estas pessoas todas fazem as suas necessidades já que o banheiro coletivo fecha às 9 da noite pra só reabrir no dia seguinte??”. A resposta só veio ao acordar, quando pudemos observar que várias das famílias tinham ao lado da barraca tendas/banheiros, que tive que fotografar por não saber explicar melhor, com vasos provavelmente de plástico, e com o produto sendo despejado aonde??? Exato!
Dia 4 – Salar do Atacama, Peine, Mejillones, Hornito
Até empacotar a vida toda que estava espalhada pela pousada, já somava quase 11 da manhã quando nos despedimos de São Pedro. Em vez de fazer a rota padrão de São Pedro para Calama e então Antofagasta, resolvemos fazer uma rota menos óbvia e cruzar o Salar pela parte sul a caminho do mar, com uns poucos oásis perdidos à beira da estrada.
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