04 abril, 2008

Meninas do Brasil

Grande comoção se formou em torno da morte da menina de 5 anos na semana que se passou, o que trouxe à baila novamente o comportamento humano frente a tragédias de toda espécie.
Os canais de telejornalismo sensacionalista debruçaram-se sobe a história com sangue escorrendo pelos dentes dos exploradores das tragédias alheias. Como já havia acontecido com a cratera aberta pela construção da nova linha de metrô, dedicaram horas de programação com o destrinchamento do caso e quando nada mais havia a ser dito, começava-se tudo novamente, para os desavisados de plantão que ali estivessem passando.
Os culpados do caso, que ainda não foi concluído, como manda o bom procedimento penal, serão investigados, e apesar da sentença dos populares que se encontram de plantão em frente à casa dos familiares, do prédio onde o crime aconteceu e da delegacia, já ter sido dada, a história continua nebulosa e intrigante. Ainda que não haja conclusão do caso, quiseram agredir os suspeitos.
Em outro canto do Brasil, com menos câmeras e helicópteros para acompanhar mandados de prisões, uma menina, menor de idade foi encarcerada com vinte e tantos homens por cerca de trinta dias e durante este tempo foi seguidamente estuprada, como provas cabais de corpo de delito e mais os testemunhos dos presos com quem ficou encarcerada, que confirmaram os abusos a que a garota se submeteu em troca de alimento.
A delegada que tinha conhecimento de todos estes atos e que ordenou a prisão da menina, por alguma coisa tão irrelevante comparada à pena a que ela foi submetida, não foi afastada, ou investigada e finalmente, enquanto os holofotes se recaiam na morte trágica da menina de São Paulo, uma coluna escondida no final da página do jornal do Metrô denunciava que 13 dos 25 juízes no Pará votaram por não processar administrativamente sua colega juíza de Abaetetuba que, ciente do fato descabido que ali acontecia, nada fez para que a menina dali saísse.
Onde estão os populares? Onde estão as câmeras? Onde estão as revoltas e as pichações? Não devia uma autoridade pública, responsável pela lei e pela ordem ser julgada com igual severidade? É o Pará ainda terra de ninguém onde manda quem pode e obedece quem tem juízo? Porque ela é pobre, sabe-se lá iletrada, e não tem orkut?
Estas são duas meninas do Brasil. Uma morta em circunstâncias ainda duvidosas, e outra ainda viva para carregar para o resto da sua vida nada glamurosa os traços da violência que se sabe, e é provado, que sofreu. Como elas há outras tantas não noticiadas em rede nacional.
Se tivéssemos o mesmo afã para lutar pelas mazelas de nosso país sem lei e sem ordem quanto temos pra rapidamente julgar e condenar as tragédias familiares, não viveríamos segundo a lei em que o poder político de autoridades corruptas e irresponsáveis garantem o silêncio nos noticiários e a impunidade dos culpados.

31 março, 2008

O lixo do luxo

O que é luxo pra você?
É algo que você pode comprar ou algo que você pode fazer?
Eu tenho notado o quanto de lixo os artigos de luxo produzem. É plástico pra embalar outro plástico pra embalar outro plástico. Pra que tanto plástico? Pra ir pro lixo?
Na luta desenfreada pela higiene esterilizada acabamos cada vez mais vulneáveis a organismos com os quais não temos mais contato.
Assitindo estes dias o tal do Jamie Oliver fazer os famosos pratos deles na cozinha de casa, ouvi dele que um pouco de sujeira faz bem. As verduras colhidas no quintal da própria casa onde o show é gravado são passadas na água e pronto.
Agora vivendo a fase de filha-que-põe-tudo-o-que-vê-na-boca tive que me acostumar com um pouco de sujeira a mais, mas não, não deixo ela lamber as minha Havaianas como ela gostaria. Eca! Em compensação o fio da televisão, o celular e a cordinha da cortina devem ter gosto de chocolate, pois são devorados com uma avidez impressionante. Devidamente supervisionada, vou avisando, pra não acabar se enrolando pelo pescoço e a brincadeira virar tragédia.
Ironia das ironias, acabamos nós adultos não comedores de cordinhas de cortina pegando uma baita virose, ou salmonella, este fim de semana e devolvemos tudo rapidinho e em doses nada homeopáticas à mãe natureza, enquanto a comedora de fios pulava impávida sobre o que tinha restado de nós.
Luxo pra mim hoje é poder ter saúde e paz de espírito pra mim e pra minha família.
Que não precisam e nem devem ser embaladas em plástico.

Just another day

O sol amanhece na cidade e já estamos em pé. Mais em pé do que estaríamos na roça. Nos quatro anos de interior nunca dormimos tanto.
Na verdade essa coisa de interior é coisa de paulistano, sabe?
Existe São Paulo e todo o resto é interior e inominado, pro desespero e revolta dos Campineiros, que não se consideram nem um pouco interioranos.
O fato é que o “interior” tem nomes. Diversos, vários, ricos de cultura e lazer, que os paulistanos desarvorados pelo trânsito e o mundo de pedra do qual vive cercado vai procurar nos fins de semana. É como o turista americano de camisa havaiana no meio da Avenida Paulista, de guia na mão e destoando do cenário.
É verdade também que o nosso movimento é contrário da maioria, que está fugindo disso tudo aqui. O ato, no entanto, foi pensado. Não temos como fugir, no momento, e algumas coisas que precisamos só podemos encontrar aqui.
Então fizemos um acordo com a cidade: se ela nos tratar bem durante os cinco dias de branco, deixamos ela em paz nos outros dois remanescentes e vamos caçar o verde que antes ficava ali no quintal de casa. Vamos de mapa na mão e camisa havaiana, descansar como forasteiros na paz dos outros.

24 março, 2008

My so called life


Sim, tenho sido relapsa com meus amigos, meu blog, minha vida de maneira geral.
Espero que a foto acima dê um pouco da dimensão das coisas. Tá certo que desde que ela foi tirada, os quadros já não estão mais na parede, as caixas estão lotadas, as colchas foram guardadas e nada mais está onde um dia esteve.
Desde que seja por pouco tempo, dá pra aguentar.

18 março, 2008

On and on and on and on

Como nova assumida escrava do rádio do meu carro, voltei a ser uma pessoa interada dos problemas do mundo e agora me pergunto pq eu estava sofrendo tanto em não acompanhar tanta asneira...
També com muito pouco esforço, caminho para me tornar uma pessoa muito menos simétrica, com o braço direito avantajado pelo levantamento de Maria Clara e a perna esquerda cada vez mais desenvolvida pelo anda e pára do infernal trânsito paulistano.
Mas other than that, a vida vai em caixas, e nós vamos sobrevivendo em 40 m² de improviso muito caramente pagos.
A Páscoa vai ser sem bacalhau, com algum chocolate e com muita papinha de nenê. Esta que na véspera de completar sete meses escorou no sofá, ajoelhou e ficou em pé. Tentei explicar pra ela que ela não tinha idade pra isso, mas ela não me deu ouvidos. Prelúdio de um futuro bastante independente...

06 março, 2008

Yes, nós temos internet!!

Finalmente conectados com o mundo, voltamos, agora semi-paulistanos. O apartamento ainda não foi liberado, e enquanto isso ficamos com a casa da roça e uma habitação temporária num micro-flat em Moema/Itaim/wherever... Achamos por bem ter um lugar nosso pra espalhar bagunça e criança (e bagunça da criança, que não é pouca) para o bem de todos e a manutenção das relações familiares;

*

Até o momento já xinguei imobiliárias, bancos governamentais e tabelionatos 15.367.548 vezes. Até o final da mudança este número tende a aumentar...

*

Pra quem veio de uma casa, sobrado, eu me pergunto por que cargas d'água alguém compra um apto duplex... Como eu tenho visto eles pipocarem cada vez mais, entendo que a procura existe. Mas me digam, pq alguém pode querer sair da cama de madrugada e ir até a cozinha no andar de baixo fazer mamadeira, pegar água, buscar o celular que esta tocando (a qualquer hora do dia neste caso)??? Sei não, viu...

*

Minha filha que já engatinha, lambe fios de telefone e quer comer minhas Havaianas novas a todo custo tem me feito uma pessoa melhor... Ao menos eu, destra de nascença, tenho me tornado uma exímia canhota nos afazeres domésticos enquanto seguro a furacãozinha com a outra mão.

*
Trabalho, filha, marido, tempo pra mim mesma... Alguém consegue balancear esta equação de 5º grau? Ou melhor 4º... E quanto custa?

*

Um bom fim-de-semana a todos, pois o meu vai ser aqui!

23 fevereiro, 2008

Mudar é...

- Se desfazer de metade de tudo que você tem, quando se vai de uma casa de 200 m² pra um apto de 80 m².

- Descobrir que sua cara metade tem, desde sempre, aquele CD que você sempre quis, mas nunca lembrou de comprar, e que foi parar na sua estante quando vocês juntaram os trapos, e você nunca soube!

- Se mudar e deixar a casa pra trás, porque metade do apto ainda é do banco, e ele não liberou nem os papéis, nem a chave.

- Ficar morando numa república de primos em Higienópolis, trabalhar em Moema, enquanto se aguarda o apto no Morumbi.

- Escolher um berçário pra filha que se encaixe na equação acima, sem que ao fim do mês eu queira voltar pra roça!

- Se acostumar com a idéia de que a filha vai pra um berçário, snif... e que você provavelmente vai sofrer mais que ela.

Das coisas que eu sentirei falta, vol. II

Pico do Gavião, fim de tarde, Poços de Caldas ao fundo.



Minha cachoeira. Não que ela seja minha propriamente dita. A fazenda tem um dono, que não sou eu, obviamente, mas eu gosto da idéia dela poder ser minha um dia.... Em tempo, a bolinha branca e barriguda sou eu, pré-parto.

15 fevereiro, 2008

Dicionário de corretagem.com.br

Nada como duas semanas inteiras procurando apto pra te introduzir no mundo peculiar da corretagem imobiliária. Para os não iniciados, segue um glossário esclarecedor:

Breve Lançamento: aquele prédio que ainda é só o pó do terreno... não se levantou um tijolinho, e você está comprando a perspectiva de ter um teto pra chamar de seu em 2.011, na melhor das hipóteses.

Lançamento: alguns tijolinhos já foram levantados, mas a entrega vai ser em 2.010!

Últimas unidades: não conseguiram vender tudo na planta, então agora estão apelando desesperadamente pra se livrar do que ficou encalhado.

Pronto para Morar: quando vem acompanhado de "últimas unidades", eles vão fazer qualquer coisa pra que você fique com o imóvel. Dar o piso de graça, dar desconto, parcelar em 360 meses...

Lugar tranquilo: geralmente é na porta do cemitério, principalmente se for no Morumbi.

13 fevereiro, 2008

Da janela lateral do quarto de dormir

Das coisas que eu vou sentir saudade... A vista do quarto da Maria Clara!

12 fevereiro, 2008

08 fevereiro, 2008

E na procura por aptos...

Diálogo entre minha irmã e meu marido no msn hoje:


Marido: Carol se encontra passada sem forças pra levantar.

Irmã: Ué pq o que aconteceu com ela? Tá com virose de novo?

Marido: Não. É pobre e só descobriu hoje.

Irmã: Hum, tá, melhor assim. Logo passa.

Marido: Não, tá com falta de grana, mesmo.

Irmã: Compra um sorvetinho pra ela que ela logo fica feliz de novo. Hahahaha.


Eu devo realmente ser pobre...